“Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita é a Mim que rejeita” (Lc 10:16).
Voltemos ao tempo da Reforma Protestante, momento histórico em que inúmeros cristãos se apartaram da Igreja erigida por Cristo e façamos uma análise sobre o primeiro grande movimento cristão de expressão separativista, fundado pelo homem Martinho Lutero.
Martinho Lutero inspirou em grande parte suas doutrinas na Gnose maniqueísta e hermética, remodelando-a ao Cristianismo
Baseados em afirmações, escritos, biografias e testemunhos, comprova-se historicamente que Martinho Lutero inspirou em grande parte suas doutrinas na Gnose maniqueísta e hermética, remodelando-a ao Cristianismo. Ao conseguir essa equivocada fusão doutrinária alcançou enorme receptividade e apoio. Devido a isso, “a Reforma é o
ponto de encontro de homens singulares como Lutero, Calvino e Munzer
com o movimento das massas”.
(1)
 |
(Semelhança entre símbolos usados por Martinho Lutero e sociedades secretas rosacruzes. Podemos perguntar: quem inspirou quem? ou, qual o traço de união doutrinário entre esses dois movimentos separativistas frente a Igreja de Cristo) |
Nesse contexto podemos compreender a estranha ligação simbólica entre Martinho Lutero (1483-1546) e as doutrinas do Rosacrucianismo, movimento gnóstico que passa por diversos ciclos de “atividade” e “inatividade”. Um desses ciclos de aparecimento e desaparecimento deu-se entre 1378 a 1459 e, posteriormente, a partir de 1614.
Assim, tanto a Reforma Luterana como o Rosacrucianismo surgiram mais ou menos na mesma época, como forma de contestação à Igreja de Cristo. Curiosamente, o símbolo de Lutero é semelhante ao símbolo da sociedade secreta dos rosacruzes, conforme vemos na ilustação anterior: uma rosa aberta, tendo ao centro uma cruz negra que, por sua vez, está inserida dentro de um coração.
Levando em conta a importância e a abrangência dos símbolos nos meios místicos e esotéricos, poderíamos perguntar: quem inspirou quem? Ou quem foi influenciado por quem?
Para Lutero, Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher samaritana
Semelhante a linha de livros gnósticos como
O Código da Vinci, de Dan Brown, quinhentos anos atrás o irreverente Lutero já dava mostras de suas verdadeiras convicções íntimas a respeito de Nosso Senhor: “Cristo não tomou sobre si só uma condição humana geral, mas
submeteu-se ao diabo e concorda com o diabo de alguma forma. Ele não assumiu só as culpas, como afirma a fé católica,
mas também a disposição ao pecado.”
(2) Com essa tortuosa linha de pensamento, não foi difícil para o monge alemão levianamente concluir: “Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte (do poço de Jacó) de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: ‘Que fez, então, com ela?’ Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também
teve que fornicar, antes de morrer”.
(3) Faltou bem pouco para afirmar que Nosso Senhor tivera um filho com Madalena, como fez Brown em seu gnóstico
Código.
(4) Em seus cadernos pessoais, Lutero afirma que Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e o diabo, o bem e o mal
Descobertos recentemente os cadernos pessoais de Lutero, o Padre Theobald Beer estudou-os e publicou um livro sobre eles.
(5) Nesses cadernos, Lutero afirma que Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e o diabo, o bem e o mal. Ora, isso caracteriza Lutero tipicamente como dualista gnóstico, e explica todas as suas doutrinas mais delirantes. Apesar dessas loucuras e blasfêmias, a grande maioria dos protestantes seus seguidores desconhecem sua vida e seus escritos que em muito o distanciam de seu mito como reformador do Cristianismo.
Pode-se dizer que Lutero foi precursor do movimento “nova era” ao declarar que se opunha a Moisés e, ainda por cima, que as leis de Deus deveriam ser abolidas:
“Todos os mandamentos devem ser abolidos. São mandamentos de Satanás
”.
(6) Foi exatamente essa a proposta feita pelo foro “new age” ocorrido em 2006, em Brasília, com o objetivo de “construir uma nova religião planetária”. Denominado I Foro Espiritual Mundial “contou com a participação de mais de 50 entidades, e teve entre seus principais conferencistas o próprio Leonardo Boff, que participou como ‘membro do Comitê da Carta da Terra, um manifesto panteísta elaborado pelo
Conselho da Terra para substituir o Decálogo (os 10 Mandamentos)’”. (7) Comprometedora conduta para um reformador do Cristianismo
Se a má conduta de alguns sacerdotes católicos fora motivo de escândalo e causaram protestos e acirraram a rebeldia da parte de Lutero, o seu próprio exemplo deveria, no mínimo, suplantar o exemplo desses maus clérigos. Caso contrário, como levar a sério sua atitude moralista ao atacar a Igreja e todo o clero?
Pois bem, em carta a Spalatin, na Páscoa de 1525, Lutero dizia que era um “famoso amante”, e que lhe daria um exemplo, conforme narra Grisar, um de seus biógrafos: “Era realmente impressionante que ele não havia se tornado uma mulher há tempos, pois havia escrito tanto sobre casamento e se imiscuído tanto com as mulheres (misceor feminis).”
Afirma que tivera três esposas ao mesmo tempo, mas que duas delas já o haviam deixado por outros. “As três esposas parecem ser as três mulheres que relatos comuns designavam como prováveis para casar com Lutero.”
Por meio de um relatório médico de 1523, revelado pelo protestante Theodore Kolde, sabemos que Lutero foi acometido de
Malum Franciae exatamente na época em que acolheu as pobres freiras fugitivas de Nimbschen que apareceram em sua residência, o mosteiro de Wittenberg. Essa doença, bem conhecida pelos libertinos e devassos, era a sífilis.
(8) Melanchthon criticou o casamento inesperado de Lutero em termos duríssimos
Melanchthon criticou o casamento inesperado de Lutero em termos duríssimos, na carta a Camerário. E essa carta, depois censurada, só veio integralmente à luz em 1876.
Nessa carta,
Melanchthon se queixava nesses termos: “Será para ti uma surpresa saber que em tempos tão calamitosos e no infortúnio de tanta gente de bem, Lutero parece desinteressar-se das misérias públicas,
mergulhar nos prazeres, rebaixar sua dignidade, justamente no momento em que a Alemanha mais precisa de sua ciência e autoridade. Eis como, a meu ver, a cousa se passou:
Lutero era um homem extremamente leviano e as freiras (por ele soltadas do convento)
que lhe armavam laços com grande astúcia acabaram por envisgá-lo... Espero que a nova existência o tornará mais sério e o fará renunciar às chocarrices que tantas vezes nele censuramos.”
(9) “O diabo dormiu ao meu lado, em minha cama, mais vezes do que minha mulher”
Influenciado por doutrinas gnósticas maniqueístas e herméticas, Lutero exprimia-se continuamente de maneira dualista, opondo e confundindo Cristo e Deus, Deus e o diabo, e mesmo a dupla natureza de Cristo: “deve-se conceder uma hora de divindade do diabo e eu devo atribuir a diabolicidade a Deus” afirmava em sua rebeldia. (10)
Outra citação do monge alemão revela nitidamente a inversão de significados, tão comum na teologia gnóstica: “(...) então não se sabe mais quem é Deus, e quem é o diabo.
Chega-se a inquirir se o diabo não será Deus”.
(11) Sobre seus conhecidos e desconcertantes diálogos com o diabo, Lutero faz algumas afirmações no mínimo bizarras: “Conheço o diabo a fundo, de pensamento e de aspecto, tendo comido em sua companhia mais de uma pipa de sal” (Brentano: 93).
Ou então: “O diabo dormiu ao meu lado, em minha cama, mais vezes do que minha mulher” (Brentano: 93).
Manifestações doentias depois da conversão de Lutero
 |
Convento dos agostinianos em Erfurt, onde Lutero fixou suas teses
|
Sobre as manchas de nanquim nas paredes, Brentano relata os seguintes episódios lúgubres: “Vêem-se ainda, em Wartburg, traços duma nódoa de tinta, que Lutero teria feito na parede, lançando um tinteiro na cabeça do demônio; pelo menos a mancha foi renovada, pelos peregrinos que não cessam de arrancar pedaços do muro a título de relíquias. Traços iguais na muralha, deixados pelos tinteiros que Lutero jogava em Satã, encontram-se no convento de Wittenberg e no castelo de Cobourg. Parecerá que o reformador não pode permanecer em lugar algum sem se empenhar com o Maligno, em batalhas a tinteiradas” (Brentano: 85).
É importante assinalar que essas manifestações doentias ocorreram bem depois da conversão de Lutero. Portanto, o reformador já estava livre das lendas e da influência que os biógrafos protestantes atribuem à Igreja Católica.
Ao contrário do que se poderia esperar, a partir de 1521, Lutero vivia se indispondo com o maligno, ao invés de possuir a paz e a alegria que atribuía à sua doutrina de justificação pela fé, e livre da prisão moral imposta pela Igreja. Quanto mais o monge alemão se afastou da Igreja e mais se afundou em seus erros, mais desesperado e doentio se tornou seu comportamento (Grisar: 384).
Longas conversas com o espírito do mal
Brentano deixa muito claro quando comenta a respeito da maligna fonte de inspiração de Lutero: “Mas às vezes o reformador tinha com o Espírito do Mal longas conversas; dava-lhe ouvidos aos argumentos. Aconteceu deixar-se convencer por eles. Por sua própria confissão, esta e aquela parte de sua doutrina nascem dessas infernais discussões. Nicolau anotou, (...): ‘Nunca houve ninguém, a não ser Lutero, que se tivesse gabado, numa obra impressa, de ter tido uma longa conferência com o diabo; que se tinha convencido de suas razões, que as missas privadas eram um abuso e que era esse o motivo que o tinha levado a aboli-las’. Bossuet volta ao mesmo ponto, em sua História das variações... (liv. IV): ‘Nesse tempo Lutero publicou esse livro contra a missa privada, onde se encontra a famosa conversa que tivera com o anjo das trevas e onde, forçado pelas razões deste, aboliu, como ímpia, a missa que celebrara durante tantos anos (...) ”(Brentano: 98-99).
Comprometedoras “inspirações” essas de Lutero... Deveriam ao menos servir de reflexão aos nossos irmãos protestantes modernos que alardeiam intervenção maligna unicamente nas revelações místicas e privadas da Igreja Católica. Sobretudo, as manifestações da Santíssima Virgem. Ao passo que o “reformador” em quem apóiam suas crenças e interpretação de fé confesa claramente ter acatado as “razões” do próprio inimigo de Deus para motivar-se a apartar-se do redil de Cristo na terra. Desde então, esfacelou-se o Corpo Místico de Cristo, a Igreja. E até hoje continua esfacelando-Se.
A partir da Reforma, passa o homem a guiar-se a si mesmo —à revelia da doutrina de Cristo e da Igreja
Mais uma vez, à semelhança das doutrinas gnósticas cujos sentidos simbólicos são invertidos, em 1530 Lutero parece antecipar profeticamente os tempos em que o poder do príncipe das trevas se imporia poderosamente sobre a humanidade: “Eu mal posso esperar o dia (...) no qual veremos o grande poder desse espírito e, como era, sua quase divina majestade” (Grisar: 383).
O que importa deixar claro é o fato de que as doutrinas de Lutero, seus desdobramentos e suas conseqüências, através do movimento da Reforma Protestante, na verdade contribuíram grandemente para a eclosão das doutrinas do livre-pensamento e da livre interpretação.
Desde então fica estabelecida ao homem a opção pela liberdade de pensamento, o nortear-se por conta própria como livre pensador —à revelia da doutrina da Igreja. A partir da Reforma, passa o homem a guiar-se a si mesmo. Acredita-se livre da Igreja, que é sustentada espiritualmente na pura doutrina do Cristo e, tradicionalmente, perpetuada no mundo através de seus legítimos continuadores.
(12) Lutero confundiu e minou a mais poderosa força do cristão: a unidade de sua fé
Portanto, muito mais que incitar o afastamento de seus seguidores da Igreja, a doutrina de Lutero afasta-os da pureza da doutrina do Cristo, preservada pela Igreja, o que faz confundir e minar a mais poderosa força do cristão: a unidade de sua fé. Por isso Jesus assegurou aos Apóstolos, Seus continuadores:
“Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita é a Mim que rejeita” (Lc 10:16).
A partir de então, os adeptos e simpatizantes da Reforma tornam-se passivamente receptivos a toda e qualquer livre interpretação do sagrado.
(13) Sobretudo, às sutis filosofias gnósticas e humanistas (materialistas), inspiradas e propagadas astuciosamente pelas sociedades secretas que desde muito já articulavam em segredo os primeiros passos para o estabelecimento da “nova ordem mundial”.
Uma vez estabelecida a “nova ordem” o mundo presenciará o advento do “senhor do mundo”, o anticristo.
Hoje observamos as tristes conseqüências desses fatos e pressentimos a iminência da implantação completa de seu curto, porém, terrível reinado.
_______
Fontes consultadas:
1 - (11) VEDRINE, Héléne. As Filosofias do Renascimento, p. 59. Tradução de Marina Alberty. Portugal: Publicações Europa América Ltda, 1971. Grifos nossos.
2 - Beer: 30 Giorni Ano VII, fev. 1992, pág.55, entrevista Lutero? Delírio Maniqueísta
3 - Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15.
4 -
BROWN, Dan.
Código Da Vinci. Editora Sextante. 2004.
5 -
BEER, Theobald.
Der fröhliche Wechsel und Streit. Grundzüge der Theologie Martin Luthers. Johannes Verlag; Auflage: 2., verm. Aufl. 1980.
6 - Lutero Tischredden, -- Conversas à Mesa, apud F. F. Brentano, op cit. p.
7 - ACI Digital - http://www.acidigital.com/noticia.php?id=8699 - acessado em segunda-feira, 2 de Abril de 2007
8 -
Grisar, Hartmann, S.J.,
Martin Luther, His life & work, pp. 290-292. The Newman Press, 1960.
9 -
Melanchthon, Brief na Camerarius uber Luthers Heirat vom 16 Junii 1525, apud Franca, CP: 131-13210
- BEER: 30 Giorni Ano VII, fev. 1992, pág.54-55, entrevista
"Lutero? Delírio Maniqueísta"11 -
BRETANO, Funck-Brentano.
Martim Lutero, p. 98. Casa Editora Vecchi, 1956, 2a. ed.
12 -
Esta Igreja é uma só: a que foi edificada sobre Pedro e que o próprio Jesus denomina: “Minha Igreja” (Mt 16:18).
13 -
Contrariando frontalmente a recomendação da Revelação Divina, através das Sagradas Escrituras:
"Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular" (II Pedro, I, 20)
.
FONTE: http://www.mensagensdemaria.org/lo.php?codigo_artigo=24