E, por fim, meu Imaculado Coração triunfará!

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sábado, 13 de agosto de 2011

FORMAÇÃO V - PORQUE SOU CATÓLICO

Capítulo III
Porque somos Católico

1º Aspecto: Somente a Bíblia basta (Sola Scriptura)

            O Protestantismo está edificado sob a doutrina da Sola Scriptura. Esta expressão latina pode ser traduzida como “somente as Escrituras”, significando “somente a Bíblia basta”. O que os protestantes querem demonstrar pela Sola Scriptura é que a Bíblia, e apenas ela, é a única autoridade infalível para a fé de uma pessoa. Qualquer coisa só pode ser aceita se estiver prevista na Bíblia; o que não estiver lá, não pode ser aceito como verdadeiro e também não pode ser tido como obrigatório. É lógico que, dependendo da denominação (igreja) protestante avaliada, a definição de Sola Scriptura pode variar. Todos aqueles que crêem na Sola Scriptura, citam esta passagem: “De fato, toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a boa obra” (2 Tim 3, 16-17). Mas que Escritura havia no tempo de Paulo? Paulo morreu em aproximadamente 67 D. C., de forma que a segunda epístola a Timóteo (2 Tm) foi escrita antes desse ano. Existia o Novo Testamento nessa época? Não, não existia! Também sabemos que não existiu um Novo Testamento por centenas de anos após a redação da 2 Carta a Timóteo. Assim, a única Escritura disponível para Paulo era o Antigo Testamento hebraico, bem como a sua tradução grega, chamada Septuaginta. Isto coloca-o na difícil situação de ter que aceitar os livros “deuterocanônicos” , que estavam na Septuaginta grega, usada pelos judeus de língua grega, e também pelo próprio Paulo. Lembramos que estes foram os sete livros rejeitados por Lutero (fundador do Protestantismo), 1500 anos depois: Sabedoria, Eclesiástico, Judite, Tobias, 1 Macabeus, 2 Macabeus e Baruc. Uma vez que todas estas traduções eram as únicas disponíveis para Paulo e ele disse que “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, então estes sete livros foram inspirados por Deus, ou não? Recordamos que os Apóstolos usaram essa versão e ninguém questionou; o cânon (lista de livros inspirados por Deus) da Bíblia foi definido pela Igreja Católica no século IV e também ninguém questionou até ao século XVI; o mesmo Concílio que definiu o cânon do Antigo Testamento definiu também o cânon do Novo Testamento. Assim, qual é a razão pela qual os protestantes não aceitam o cânon do Antigo Testamento definido no século IV e aceitam, por outro lado, todos os livros definidos para o Novo Testamento? Se não aceitam esses livros, quem poderia ter autoridade para removê-los? Recordamos que a Bíblia proíbe que se acrescente ou retire algo da Palavra de Deus e avisa para o perigo que daí possa advir. Portanto, não se pode usar 2 Tim 3, 16-17 para justificar a Sola Scriptura, sem rejeitar todo o Novo Testamento, sendo também obrigados a aceitar aqueles sete livros como inspirados. Porém, existem ainda outros pontos em que a crença na doutrina de que “somente a Bíblia basta”, acaba falhando. Se a Sola Scriptura é uma doutrina verdadeira, então:

a)      O cânon da Bíblia (lista dos livros inspirados) deveria estar na Bíblia;
b)      Cada livro da Bíblia deveria auto autenticar-se;
c)      Os judeus deveriam acreditar na Sola Scriptura;
d)     A Própria Bíblia deveria ensinar que “somente a Bíblia basta”;
e)      Os primeiros cristãos deveriam ter professado a Sola Scriptura;
f)       Os analfabetos não poderiam obter a salvação;
g)      As Escrituras deveriam se auto-explicar;
h)      Jesus deveria ter ensinado essa doutrina;

Contudo, nenhum dos requisitos acima referidos é verdadeiro.

Aspectos sobre a Tradição Oral

A Bíblia utilizada pelos protestantes é uma só; em Português, vem a ser a tradução de Ferreira de Almeida. Perguntamos nós:

a)      Então porque é que não concordam entre si no tocante a pontos importantes?
b)      Porque não constituem uma só comunidade cristã em vez serem milhares de igrejas separadas (e até hostis) entre si?


            A razão é que, além da Bíblia, seguem outra fonte de fé e disciplinar à qual se dá o nome de Tradição Oral. Ao passo que a Tradição Oral do Catolicismo começa com Cristo e os Apóstolos, as tradições orais dos protestantes começam com Lutero (1517), Calvino (1541), Knox (1541), Wesley (1739), Joseph Smith (1830) e como já referimos anteriormente, atualmente existem mais de 40.000 denominações (igrejas) protestantes. Entre Cristo e os Apóstolos de um lado, e os fundadores protestantes do outro, não há como hesitar: só se pode optar pelos ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, deixando de lado os “profetas” posteriores. Notemos que o próprio texto da Bíblia recomenda a Tradição Oral, isto é, a Palavra de Deus que não foi consignada na Bíblia e que deve ser respeitada como norma de Fé. Aqui ficam alguns exemplos que dão razão à Igreja Católica em aceitar a Tradição Oral: “Por este motivo é que suporto também esta situação. Mas não me envergonho, pois sei em quem acreditei e estou persuadido de que Ele tem poder para guardar, até àquele dia, o bem que me foi confiado. Toma como modelo as sãs palavras que ouviste de mim, na fé e no Amor de Cristo Jesus. Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi confiado” (2 Tim 1, 12-14). Neste texto em particular, vê-se que o precioso bem é a doutrina que São Paulo fez ouvir a Timóteo, e que Paulo, por sua vez, recebeu de Cristo. Tal é a linha pela qual passa a doutrina: Cristo— Paulo— Timóteo. Mas a linha continua: “Quanto de mim ouviste, na presença de muitas testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança, que sejam capazes de ensinar também a outros” (2 Tim 2, 2). Temos então a seguinte sucessão de portadores e transmissores da Palavra: O Pai— Cristo – Paulo (Os Apóstolos) — Timóteo (Os Discípulos imediatos dos Apóstolos) — Os fiéis— Os outros fiéis. Podemos continuar, referindo ainda outras passagens: “Portanto irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta” (2 Tess 2, 15); “Apesar de ter muitas coisas a escrever-vos, não quis fazê-lo com papel e tinta, mas espero ir ter convosco e falar de viva voz, para que a nossa alegria seja completa.” (2 Jo 1, 12); “Tinha muitas coisas para te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena. Espero ver-te em breve e então falaremos de viva voz” (3 Jo 1, 13-14). 

Desta forma, a própria Escritura atesta a existência de autênticas proposições de Cristo a ser transmitidas por via meramente oral de geração em geração, sem que os cristãos tenham o direito de menosprezá-las ou retocar. A Igreja Católica é a guardiã fiel dessa Palavra de Deus oral e escrita. Contudo, os protestantes podem contestar dizendo: mas tudo o que é humano deteriora-se e estraga-se. Por isso, a Igreja deve ter deteriorado e deturpado a Palavra de Deus; quem garante que esta ficou intacta através de vinte séculos na Igreja Católica? Quem o garante é o próprio Cristo, que prometeu a sua assistência infalível a Pedro e as luzes do Espírito Santo a todos os seus Apóstolos, isto é, à sua Igreja. Aqui ficam algumas passagens que comprovam aquilo que foi dito: “Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há de recordar-vos tudo o que Eu vos disse” (Jo 14, 25-26); «“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando ele vier, o Espírito da Verdade, há de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos-á o que há de vir. Ele há de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que eu disse: “Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer”» (Jo 16, 12-15). Não faria sentido o sacrifício de Cristo na Cruz se a mensagem pregada por Jesus fosse entregue ao léu ou às opiniões subjetivas dos homens, sem garantia de fidelidade através dos séculos. Esta garantia nos é dada pelo próprio Jesus Cristo quando diz aos seus Apóstolos: “Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. 

E sabei que Eu estarei sempre convosco até aos fins dos tempos”. (Mt 28, 18-20). Outro exemplo da presença de Cristo junto à sua Igreja nos é transmitido desta maneira: “ Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus. Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam” (Mc 16, 19-20). Outra prova de que só a Bíblia não chega, é a de que os seus autores sagrados não expuseram todos os ensinamentos de Jesus por escrito, como atestam algumas passagens: “Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele” (Jo 20, 30-31); “Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever” (Jo 21, 25). Conclusão sobre a Sola Scriptura. Aqueles que crêem na Sola Scriptura, nunca compreenderão e jamais encontrarão a verdade. Eles edificam as suas crenças sobre a fundação de areia da Sola Scriptura e não sobre a rocha. A fundação de areia é insegura e instável. Não importa quantos remendos façam, mas o seu edifício de fé jamais será sólido e irá constantemente balançar conforme o vento e a água for levando a fundação de areia sobre a qual construíram sua fé. Gastarão todos os seus dias tentando provar em vão esta ou aquela crença, a partir da Bíblia. Uma denominação provará pela Bíblia que Jesus Cristo era divino mas não humano enquanto outra provará, pela mesma Bíblia, que Ele era humano mas não divino. A falsa doutrina da Sola Scriptura criada pelo homem simplesmente não funciona e jamais funcionará.

A doutrina da Sola Scriptura surgiu em cena apenas na época da Reforma Protestante (Século XVI). Não existia, nem poderia existir, antes da invenção da imprensa, quando as Bíblias finalmente se tornaram disponíveis a um baixo custo e em abundância para as massas populares. A doutrina da Sola Scriptura é anti bíblica, como foi demonstrado e não é histórica antes da Reforma, sendo impraticável. Esta falsa doutrina da Sola Scriptura e a “interpretação individual” da Bíblia (proibida pela própria Escritura em 2 Ped 1,20) são a principal causa da fragmentação do Corpo de Cristo no Protestantismo.

CONTINUA....

terça-feira, 26 de abril de 2011

FORMAÇÃO IV - PORQUE SOU CATÓLICO

Capítulo II
Outros Movimentos Cristãos

Há algum tempo, e cada vez mais, a imprensa noticia que milhares e milhares de cristãos estão a se afastar da Igreja Católica para seguir novos movimentos religiosos. Vemos assim que o católico costuma ser pacífico e bom ouvinte. Por outro lado, sabemos que muitos católicos assim se declaram, porque foram batizados quando crianças, não tendo, após isso, uma verdadeira vida cristã: nunca foram à Igreja, nunca tiveram interesse em participar nos grupos comunitários, e nunca se aprofundaram no estudo bíblico e doutrinário da Igreja, fazendo no máximo a primeira comunhão.

Para discutir este problema, existem hoje duas correntes de pensamento dentro da própria Igreja Católica: a primeira acha positivo este “êxodo”, já que ocorre uma purificação interna dentro da própria Igreja, uma vez que, como está comprovado, só deixam de ser católicos aqueles que pouco interesse têm pela Igreja. A segunda, embora reconhecendo que essa ‘purificação’ possa ser positiva para o aumento da qualidade dos fiéis católicos, afirma que não é justo permitir o afastamento do ‘joio’, já que estes foram, na maioria das vezes, conquistados de forma ilícita, isto é, por desconhecerem a sã doutrina da Igreja Católica, mudando de fé, graças a atitudes pouco ecumênicas por parte da maioria dos dirigentes de outras “igrejas”, que aproveitando o fato do pouco conhecimento religioso de boa parte dos católicos, converte-os às suas respectivas religiões usando, para isso, de artimanhas verdadeiramente anti-ecumênicas.

De uma forma ou de outra, a própria Igreja Católica reconhece que é necessário uma nova evangelização, buscando aprofundar as raízes de todos os fiéis católicos, bem como de todos os homens de boa vontade.

Primeira grande divisão no Cristianismo

Relembremos que a primeira grande divisão dentro do Cristianismo ocorreu em 1054 D.C. (aproximadamente mil anos após a fundação da Igreja). É o que se chama de Cisma Oriental. Antes disso, grandes polêmicas tinham surgido dentro do seio do Cristianismo mas, mesmo assim, sempre se chegava a um consenso geral através da realização de grandes Concílios Ecumênicos, que reuniam bispos de todo o mundo até então conhecido. 

Aqueles que não se adequavam às decisões eram afastados da Igreja, criando - como hoje em dia - comunidades heréticas que o próprio tempo tratou de exterminá-las. Mas o Cisma Oriental foi a primeira divisão que realmente abalou o mundo cristão. Doutrinariamente, os orientais, baseados em Constantinopla, acusaram a Igreja do ocidente de ter acrescentado o termo filioque ao credo niceno-constantinopolitano, resultando na procedência do Espírito Santo a partir do Pai e do Filho e não apenas do Pai, como originalmente registava tal credo, o que dava a impressão que o Espírito Santo passou a "existir" após o Pai e o Filho. Muito embora a Igreja católica tenha demonstrado e comprovado que tal acréscimo nada modifica na fórmula original, nem impõe uma ordem de procedência, já que se trata do Deus único, a Igreja Ortodoxa jamais aceitou voltar à plena comunhão com a Igreja de Roma, o que bem demonstra que a divisão não ocorreu por motivo simplesmente doutrinário.

Mas então qual seria o verdadeiro motivo da separação? Política! Desde o séc. VII, Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, desejava ter os mesmos direitos da Sé de Roma, tendo conseguido obter, no máximo, o reconhecimento do privilégio da segunda, logo depois de Roma. Assim, o argumento do "acréscimo ilícito" do filioque foi usado apenas para garantir a separação na ordem política! Isso é História.

Esclarecimento sobre a Reforma Protestante

Após essa separação, uns séculos mais tarde, no século XVI, acontece a Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero. A filosofia que Lutero aprendeu na Universidade, era o aristotelismo interpretado por Guilherme Ockham e a sua escola era a chamada “via moderna”, também dita “Nominalismo”. O Nominalismo levava ao conceito de Deus Soberano Arbitrário, mais terrível do que amável, identificado com uma vontade toda-poderosa e quase caprichosa e tirânica, que tanto poderia condenar um justo como salvar um pecador sem apagar o pecado deste. 

A 2 de Julho de 1505 deu-se um fato decisivo: quando voltava da casa de seus pais para Erfurt, onde morava, quase foi fulminado por um raio. Impressionado, Lutero exclamou: “Ajuda-me, Santa Ana, e serei frade!”. Confessou posteriormente que se arrependeu de ter feito tal voto; os amigos quiseram-no dissuadir de cumpri-lo, mas Lutero julgava-se obrigado a fazê-lo; nem o pai conseguiu desviá-lo do propósito. Sendo assim, catorze dias após proferir o voto, ou seja, em 16/07/1505, Lutero, com vinte e dois anos de idade incompletos, entrou no convento dos Agostinianos de Erfurt, tido como uma casa religiosa de observância fervorosa. 

No convento, o frade improvisado procurou cumprir a Regra, orando, jejuando, obedecendo, vivendo em castidade. Todavia sentia-se angustiado e inquieto pelo temor de não estar a agradar a Deus. De modo especial perturbava-o a incerteza da predestinação: estaria ele irremediavelmente destinado ao inferno? Era-lhe difícil conceber uma resposta, visto que a filosofia nominalista que aprendera, lhe insuflava a idéia de um Deus misteriosamente arbitrário em seus desígnios e tremendamente justiceiro, em vez do conceito de um Pai misericordioso, cuja vontade salvífica universal se evidencia no fato de ter entregado o seu Filho pela salvação dos homens. Durante esta crise, confessa Lutero que “não amava, mas odiava o Deus justiceiro, que castigava os pecadores e, se não blasfemava em silêncio, ao menos murmurava, terrivelmente indignado contra Deus”. Atormentado por dúvidas e remorsos, corria a confessar-se, acusando culpas que talvez não fossem tais senão na sua imaginação altamente excitada. Afinal o Deus tirânico que ele forjara, não era o Deus da Tradição cristã, mas sim o Deus sugerido pelo regime de educação severa e ela formação filosófica que recebera. 

Em 1515, Lutero foi designado pelos Superiores da Ordem de S. Agostinho para lecionar as epístolas de São Paulo. Lendo e meditando tais textos, o frade foi descobrindo a solução do seu problema, que constava de dois princípios básicos:
· O pecado deteriorou irremediavelmente a natureza humana, de modo que o homem é incapaz, por si, de praticar o bem, nem tem liberdade para isso. Precisa da graça para fazer boas obras; mas mesmo as obras boas dos Santos são más: “Mesmo praticando boas obras, pecamos”. O pecado permanece sempre, porque a concupiscência desregrada também permanece sempre; o Batismo não a extingue.
· Se somos sempre pecadores, não são as nossas boas obras que nos salvam, mas a fé ou a confiança em Cristo. Se alguém tem fé, Deus deixa de imputar os seus pecados e aplica-lhe os méritos de Cristo. A esta modalidade de justificação, Lutero chama de “imputativa, forense, judiciária e não ontológica”. Não há regeneração e santificação real da alma humana. O homem é simultaneamente justo e pecador: pecador na realidade e justo na aparência que Deus dele faz; justo porque tem fé em Cristo, pecador porque não cumpre a lei e não está isento da concupiscência desregrada: “De modo nenhum nos condena o facto de sermos pecadores, contanto que desejemos ser justos... Convém, pois, permanecer nos pecados e gemer por nos libertarmos deles na esperança da misericórdia de Deus”.

          A Teologia ensina que o sentir a concupiscência não é pecado se o cristão não lhe dá consentimento. Mas, em virtude de sua formação ockhamista, Lutero valorizava o sentir, mais do que o raciocínio, de modo que sentir a vontade, mesmo sem lhe consentir, já lhe parecia ser pecado. Em síntese, Lutero julgava que a concupiscência desregrada é o próprio pecado original. Visto que aquela jamais se extingue no homem, segue-se que o pecado original não é apagado pelo Batismo; por isto todo homem é corrupto e rejeitado pela santidade de Deus; em tudo o que ele faça (mesmo nas boas obras), ele peca; a vontade não é livre para praticar o bem. Donde se conclui que a justificação se faz unicamente pela fé, dom de Deus, sem colaboração ativa do homem. Foi sobre este pano de fundo que sobreveio o episódio das indulgências.

As indulgências e a Reforma Protestante

          A temática das indulgências é geralmente mal entendida e relatada por historiadores profanos que descrevem a reforma luterana. Aqui apresentaremos apenas os fatos como se deram na época de Lutero, influindo sobre as atitudes do frade agostiniano. Em 1514 teve origem na Alemanha uma situação pouco honesta. Com efeito, Alberto de Hohenzollem, com 24 anos de idade, foi nomeado Arcebispo de Magdeburgo (em Fevereiro) e Administrador Apostólico de Halberstadt (em Setembro). No ano seguinte, o cabido de Mogúncia elegeu-o para esta diocese primacial da Alemanha. Caso aceitasse a eleição, teria que renunciar às duas outras dioceses. 

Suplicou, porém, ao Papa Leão X que lhe permitisse acumular as três dioceses--o que não era oportuno para a vida pastoral dos diocesanos. Todavia, o Pontífice permitiu, por razões de conveniência ocasional, contanto que pagasse à Câmara Apostólica 10.000 ducados de ouro por tal dispensa, além dos 14.000 florins renanos já desembolsados para receber o palio (insígnia) de arcebispo e a confirmação pontifícia. Para pagar tal dívida, Alberto resolveu pedir emprestado ao banqueiro Tiago Függer, de Ausburgo, a quantia de 21.000 ducados e 500 florins, equivalente aproximadamente a 29.000 florins renanos.

A fim de conseguir reembolsar ao banqueiro, os príncipes eleitores Alberto e seu irmão Joaquim entenderam-se com a Cúria Romana no sentido de se promover a pregação de indulgências nas três dioceses de Alberto e no território de Brandenburgo submetido a Joaquim de Hochenzollern, sob a condição de que a metade do dinheiro arrecadado se destinasse à construção da basílica de São Pedro em Roma e a outra metade ficasse para Alberto, arcebispo de Mogúncia. Em Outubro de 1515 o Imperador Maximiliano interveio, exigindo durante três anos a contribuição de mil florins anuais em favor da igreja de São Tiago em Innsbrück.
 
A pregação dessas indulgências foi confiada ao frade dominicano João Tetzel, fervente pregador e de costumes íntegros, mas mais orador popular do que autêntico teólogo. Com retórica tratou de comover e convencer os fiéis a dar sua contribuição. Não vendia bulas papais que prometessem o perdão dos pecados, como se tem dito, mas soube usar de dialéctica abusiva e imprudente, o que, em parte, se compreende pelo facto de que o seu trabalho era controlado por funcionários do banqueiro Függer. Tetzel seguia as normas estabelecidas por Alberto de Mogúncia no libelo “Instructio Summaria pro Subcommissariis”. Deve-se confessar que todo esse plano de arrecadar dinheiro e as suas finalidades não merecem aprovação.
 
Quando a “Instructio Summaria” chegou às mãos de Martinho Lutero, este insurgiu-se “como um cavalo cego”, e protestou energicamente junto ao respectivo autor, Alberto de Mogúncia. Escreveu, indignado, uma carta de protesto ao arcebispo de Mogúncia, enviando-lhe também um exemplar das suas teses. A carta pedia que fosse retirada de circulação a “Instructio” e corrigido o modo de pregar as indulgências.
 
Diante da intransigência do Papa Leão X, Lutero confirma, desenvolve e endurece as suas posições. Tem início a Reforma. Em 1521, é declarado herético, mas já tem adeptos no seio do Império. Refugia-se junto de Frederico da Saxónia, traduz a Bíblia para alemão, casando-se em 1525. Numerosos discípulos vêm posteriormente apoiar a sua obra doutrinal. Publica em 1530 A Confissão de Augsburgo, carta do luteranismo que, em 1555, se torna oficial em certos Estados do império.
 
Os princípios da Reforma e as suas correntes não pararam de crescer por toda a Europa provocando o nascimento de numerosas “igrejas particulares”, por causa das divergências de doutrina, sendo as principais, a Igreja Luterana, fundada pelo próprio Lutero e a Igreja Reformada fundada por Calvino. Pode se dizer que as outras saíram destas duas: batistas, metodistas, presbiterianas, pentecostais, adventistas; etc.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

CONTINUAÇÃO - PORQUE SOU CATÓLICO


Capítulo I

O Nascimento da Igreja

            Em primeiro lugar, gostaríamos de esclarecer onde, como e quando teve origem a chamada Igreja Católica. A palavra “Igreja” explica-se claramente pela sua origem latina Ecclesia, que significa «assembléia». Na verdade, designa a reunião dos primeiros cristãos para celebrar a Eucaristia, mas também o edifício, a construção na qual se desenrola esta celebração e o local de encontro da comunidade. O termo “católica” vem do grego katholikos e significa «universal», estando em conformidade com o desejo do seu fundador, JESUS CRISTO: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). Como já foi dito, a Igreja tem origem divina (Jesus Cristo: verdadeiro homem e verdadeiro Deus). Mas antes mesmo de ser fundada, Jesus fez questão de manifestar esta sua vontade e interesse divino aos seus Apóstolos.
É no Evangelho de São Mateus que podemos confirmar este seu desejo: “Ao chegar à região de Cesárea de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.» Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.» Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. Também eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu” (Mt 16, 13-19). Assim, vemos que Jesus promete edificar a Sua Igreja sobre Pedro que, momentos antes testemunhara em seu nome e no dos demais Apóstolos a Messiandade e Filiação Divina de Cristo. A Igreja de Jesus terá como principal característica a indestrutibilidade, mesmo quando sondada pelas artimanhas do demônio.
            A Igreja, portanto, ainda não havia sido fundada, mas já tinha o seu chefe (Papa) escolhido entre os discípulos: é Pedro que recebe as chaves do Reino, com o poder de ligar e desligar as coisas do Céu. Posteriormente, Jesus volta a falar da Sua futura Igreja, confirmando a sua autoridade perante os seus fiéis: “Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreendo-o a sós. Se te der ouvidos, terás ganhado o teu irmão. Se não te der ouvidos, toma contigo uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Se ele se recusar a ouvi-las, comunica-o à Igreja; e, se ele se recusar a atender a própria Igreja, seja para ti como um pagão ou um cobrador de impostos. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na Terra será desligado no Céu” (Mt 18, 15-18).
Vemos assim que o pecador que não escutasse o seu irmão e fosse entregue à Igreja, se ainda assim permanecesse no pecado, não ouvindo os seus irmãos na fé e nem, por último, a Igreja (isto é, não se submetendo à autoridade eclesiástica), deveria ser excluído da comunidade cristã [eis aqui a remota origem da excomunhão]. O versículo 18 estende o poder de “ligar e desligar” aos demais apóstolos, porém, sem retirar de Pedro a primazia (= chaves) sobre os demais, como podemos confirmar nas passagens que se seguem: “E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.»” (Lc 22, 31-32); “Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de Jonas, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira vez: “Tu és deveras meu amigo?”Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-17). Temos, então, que a Igreja do Senhor foi fundada após a ressurreição de Jesus. É o livro dos Atos dos Apóstolos (segunda parte dos escritos de Lucas, já que a primeira é o seu Evangelho), a partir do capítulo 1, versículo 12, que oferece os dados mais importantes sobre o início da Igreja.        Poucos dias antes da fundação oficial da Igreja, em aparição aos seus discípulos e antes de ascender aos céus, Jesus promete-lhes o Espírito Santo para que o Evangelho possa atingir todas as nações: “Estavam todos reunidos, quando lhe perguntaram: «Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?» Respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 6-8). Assim, os discípulos aguardam em Jerusalém a vinda do Espírito Santo, que marcará o início da Igreja e, enquanto esperam, elegem o substituto para a vaga deixada por Judas Iscariotes, o traidor que cometera suicídio: “… designaram dois: José de apelido Barsabás, chamado Justo, e Matias. Fizeram, então, a seguinte oração: «Senhor, Tu que conheces o coração de todos, indica-nos qual destes dois escolheste para ocupar, no ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas, que foi para o lugar que merecia. “Depois, tiraram a sorte, e a sorte caiu em Matias, que foi incluído entre os onze Apóstolos” (Act 1, 15-26).

A Igreja e o Espírito Santo

            Chega, então, o dia da festa de Pentecostes e os Apóstolos estão todos reunidos no Cenáculo; eis que de repente se cumpre a promessa de Jesus e o Espírito Santo vem sobre todos os discípulos que começam a pregar a Palavra de Deus em vários idiomas, de forma que pudessem ser compreendidos por todos, especialmente pelos estrangeiros que estavam presentes em Jerusalém para as festividades. Como poderiam aqueles homens rudes — boa parte compostos por pescadores ignorantes – estarem demonstrando cultura, expressando-se perfeitamente em línguas que jamais tiveram oportunidade de conhecer: “Quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De repente, ressoou vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam. Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefata, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At 2, 1-6). Pedro aproveita a oportunidade e, como líder primaz da Igreja, discursa testemunhado fervorosamente a favor de Jesus Cristo e obtém a conversão de aproximadamente 3000 pessoas de uma só vez! É a ação do Espírito Santo em favor da sua Igreja (At 2, 14-41). Essa comunidade cristã passa-se a reunir no primeiro dia da semana (Domingo), recordando o dia da ressurreição de Jesus, para a realização da fração do pão e orações, isto é, para celebrarem a Santa Missa na sua forma mais primitiva: “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações” (Act 2, 42). Mas a Igreja deve ainda pregar as boas novas de Jesus a todos os povos e, para isso, necessita de missionários que estejam dispostos a partir para outras nações. É certo que todos os Apóstolos partiram em missão, permanecendo apenas Tiago, parente de Jesus, em Jerusalém. Para aumentar a expansão da Igreja pelo mundo pagão, o próprio Senhor seleciona a dedo um dos seus grandes perseguidores: Saulo de Tarso. Após converter-se por intermédio de uma visão particular de Jesus (At 9, 3-9) e mudar o seu nome para Paulo, este ex-perseguidor passa a ser o principal missionário da Igreja primitiva, e realiza importantes pregações entre os pagãos, podendo ainda ter atingido a Espanha! (Rom 15, 24-28). A Igreja cresce e a hierarquia começa a surgir, com a nomeação de presbíteros e diáconos para liderar as várias comunidades que surgem a partir de então: “Por esses dias, como o número de discípulos ia aumentado, houve queixas dos helenistas contra os hebreus, porque as suas viúvas eram esquecidas no serviço diário. Os Doze convocaram, então, a assembléia dos discípulos e disseram: «Não convém deixarmos a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Irmãos. É melhor procurardes entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria; confiar-lhes-emos essa tarefa. Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra.» A proposta agradou a toda a assembléia e escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócuro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito (convertido) de Antioquia. Foram apresentados aos Apóstolos que, depois de orarem, lhes impuseram as mãos. A palavra de Deus ia-se espalhando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém, e grande número de sacerdotes obedeciam à Fé ” (At 6, 1-7). Porém, como a mensagem cristã foi primeiramente voltada para os judeus, surgindo as primeiras conversões a partir desse grupo, logo, com a conversão dos gentios (pagãos), surgiu um dilema: estariam estes obrigados a seguir a Lei de Moisés como os judeus? Os missionários judaizantes (cristãos convertidos do judaísmo) por conta própria, começam a impor as regras mosaicas - inclusive a circuncisão – também para os gentios e, em pouco tempo, passam a confrontar Paulo diretamente, que defendia a não validade da Lei para estes. A solução para o problema é obtida mediante um Concílio reunido em Jerusalém (At 15), onde os Apóstolos, seguindo a orientação de São Pedro (o 1º Papa), decidem que os gentios não estão obrigados a observar a Lei mosaica, com exceção de pouquíssimos detalhes claramente disciplinares e, por isso mesmo, de aplicação temporária. Estava agora a Igreja - por inspiração do Espírito Santo - liberta de uma vez por todas das correntes que a prendia ao judaísmo e, daí para frente, expandiu-se por todo o mundo, tornando a mensagem salvífica de Cristo, “Universal” (Católica), isto é, conhecida por todos os povos e guardando até hoje, com respeito e cuidado, o sagrado Depósito da Fé (Doutrina da Igreja Católica). Mas para o sucesso da expansão do Evangelho, foi primordial a mudança estratégica da sede da Igreja, deixando Jerusalém e estabelecendo-se definitivamente em Roma, de onde partiam todas as estradas para o mundo até então conhecido, o que certamente facilitou as missões: “Manda-vos saudações a comunidade dos eleitos que está em Babilônia e, em particular, Marcos, meu filho” (1 Pe 5, 13).

Características da Igreja de Cristo

            Concluindo, percebemos que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo possui várias características:

1.      É Una: porque tem um só Senhor, Jesus Cristo, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança: Ressurreição. Confirmemos: “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos” (Ef 4, 4-6).
2.      É Santa: porque o seu autor é o Deus Santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para santificá-la; vivifica-a o Espírito de Santidade. Embora encerre pecadores no seu seio, ela é SEM PECADO, FEITA POR PECADORES. Nos Santos brilha a sua santidade; em Maria, mãe do Salvador, ela já é totalmente santa.
3.      É Católica: porque anuncia a totalidade da Fé; é enviada a anunciar o Evangelho a todos os povos, dirigindo-se a todos os homens, abrangendo todos os tempos; é por sua própria natureza, missionária.
4.      É Apostólica: porque está edificada sobre alicerces duradouros, que são “os Doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21,14) ; é indestrutível; é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros Apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos Bispos.
5.      É Romana: porque o chefe visível da Igreja (o Papa) está estabelecido em Roma; com ele, todos os Bispos do mundo devem estar em plena comunhão (At 15). [Observação: o título “romana” não tem sentido de nacionalidade ou restrição, em contraste com o título “Católica”, que tem o sentido de universalidade; “romana” simplesmente indica a localização da sede mundial da Igreja, e apenas isso]. De modo semelhante, o próprio Jesus, Salvador de todos os homens, foi chamado “Nazareno”, porque, convivendo com os homens, precisava de um endereço, que foi a cidade de Nazaré.

            Convém também esclarecer que a expressão “Igreja Católica” teve origem por volta do ano 107 D.C., sob a pena de S. Inácio, Bispo de Antioquia, o qual escreveu: “Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica”. É bom lembrar que, já nessa altura, existiam correntes ou “igrejinhas” heréticas, separadas da Igreja grande, fundamentando a necessidade de dar um nome à Igreja autêntica e única fundada por Jesus Cristo.

CONTINUA...

domingo, 3 de abril de 2011

FORMAÇÃO III: PORQUE SOU CATÓLICO??

FORMAÇÃO II: FORA DA IGREJA CATÓLICA, NÃO HÁ SALVAÇÃO

FORMAÇÃO I: SER CATÓLICO É... AMAR A ÚNICA IGREJA VERDADEIRA FUNDADA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

“Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela”. (Mt 16,18).

Cristo mandou aos santos Apóstolos, sob a chefia de São Pedro Apóstolo, que governassem e ensinassem sua Igreja; e Ele próprio instituiu a Santa Missa e os Sacramentos com meios para a santificação de todas as pessoas. Finalmente, Jesus Cristo garantiu-lhes que sua presença seria contínua dizendo: “Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos” (Mt 28,19.20). A Igreja é portanto, a união de Cristo com a Humanidade numa sociedade hierárquicamente organizada.

São Paulo Apóstolo afirma: “É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja” (Ef 5,32). “A Igreja é no mundo presente o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da Comunhão de Deus e dos homens” (CIC Nº 780). São João Crisóstomo (350-407), exortava: “Não te afaste da Igreja: Nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”.

A Esposa de Cristo não pode ser adulterada, ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo. Ela nos conserva para Deus, entrega ao reino os filhos que gerou. Quem se aparta da Igreja e se junta a uma adultera, separa-se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar dos que ficaram fora da arca de Noé, também se salvará os que estiverem fora da Igreja. O Senhor nos admoesta e diz: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa” (Mt 12,30). Torna-se adversário de Cristo quem rompe a paz e a concórdia de Cristo; aquele que noutra parte recolhe, fora da Igreja, dispersa a Igreja de Cristo”.

“FORA DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ SALVAÇÃO”

  A Igreja é una pela sua fonte: “Deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho e Espírito Santo”. A Igreja é una pelo seu Fundador: “Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo”. A Igreja é una pela sua “alma”: “O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o principio de Unidade da Igreja”(CIC Nº 813). “Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar, há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la Igreja” afirma São Clemente de Alexandria (C.155 – C.225).   “A única Igreja de Cristo, … é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la … 

Para entender a santidade da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos examinar a Igreja em seus dois aspectos inseparáveis: enquanto é divina, a Igreja é imaculada, indefectível, infalível, imutável, perfeita; enquanto é humana, a Igreja muda, evolui e cresce, e pode apresentar imperfeições passageiras por causa dos homens que a forma. Um sacerdote, um bispo e até um papa podem descuidar de seus deveres, mas isto não impede que a Esposa de Cristo, a Igreja, continue sempre santa, imaculada, gloriosa e irrepreensível em seu aspecto divino. A Santa Igreja de Deus foi, é e será santa sempre em razão:

1) de sua alma que é o próprio Espírito Santo (Mt 3,11;28,19; At 2,4; Ef 1,13.14).

2) de sua cabeça que é Cristo, o santo dos santos (Cl 1,18; Ap1,13-18).

3) de seu fim que consiste na sua santificação das almas (1 Cor 1,2; Ef 1,2-4; Cl 3,12; 1 Tess 4,3; 1 Pd 1,15-16).

4) de seus meios que são sua doutrina, sua moral, seu culto, seus sacramentos, seu sacrifício Eucarístico em que se oferece continuamente a Deus Pai “uma hóstia pura, santa imaculada (Jo 6,53-58;15,12-14)”.

5) de muitos de seus membros que são santos: seus pobres de espírito, seus mansos, seus aflitos, seus justos, seus misericordiosos, seus apuros de coração, seus pacificadores, seus perseguidos por causa da justiça, isto é, seus inumeráveis santos e mártires (canonizados ou anônimos) de ontem e de hoje.

 A Igreja é o Corpo de Cristo e é santificado por Ele mesmo; e, por Ele e nele torna-se santificante. Nós sabemos que a Igreja é santa e perfeita, todavia, seus filhos são pecadores e imperfeitos. Os inimigos da Igreja não sabem distinguir uma da outra. Quando seus filhos erram, a Santa Madre Igreja recebe ofensas terríveis. Será que os críticos não sabem que o médico pode errar, mas não a medicina? O soldado pode ser indisciplinado, mas não todo o quartel. O parlamentar pode ser corrupto, mas não todo o Congresso?

“Nada se pode conceber de mais glorioso, mais nobre, mais honroso do que pertencer à Igreja Santa, Católica, Apostólica e Romana, pela qual nos tornamos membros de um Corpo tão santo, somos dirigidos por um chefe tão sublime, somos penetrados por um único Espírito Divino; enfim somos alimentados neste exílio terrestre por uma só doutrina e um só Pão celeste, até que finalmente tomemos parte na única e eterna bem aventurados celeste’ ( Pio XII – Mystici Corporis Christi nº 90 – 29/06/1943)”. (1).

Está escrito na Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós com tal nuvem de testemunho ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o autor e realizador da fé, Jesus” (Hb 12,1-2).  Rejeitando rigorosamente o pecado procuremos com todos o ardor do nosso coração a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12,14).  

O verdadeiro testemunho do cristão é a sua santidade! Longe dos Cristãos cardos e espinhosos para não fazer sangrar o Corpo de Cristo. Não sejamos pedras de tropeços e de escândalos a ninguém. Corramos com os olhos fixos em Cristo, para que sejamos trigo e ovelhas no pasto do santo Pastor. 

“ A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Pois Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado o ‘único Santo’, amou a Igreja como sua Esposa. Por ela se entregou com o fim de santificá-la. Uniu-a si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo, para a glória de Deus”. A Igreja é, portanto, “o Povo santo de Deus”, e seus membros são chamados “santos” (CIC Nº 823).

Conclusão

“Credo Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam” (“Eu creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”). Que maravilhosa, que felicidade, sermos católicos pela graça do bom Deus. Que firmeza e serenidade professarmos a nossa fé na (“unica Christi Ecclesia… subsistit in Ecclesia catholica, a successore Petri et Episcopis in eius communione gubernata”(“única Igreja de Cristo… subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”) (LG, 8). Pertencemos ao “redil” de Jesus Cristo, à “vinha” do Senhor, à “Construção” e “templo” de Deus, à “Jerusalém celeste”, à “Esposa Imaculada do Cordeiro Imaculado” (Ef 5,25-27), (LG, 6). Só existe uma Igreja verdadeira, para um só Senhor, Mediador e Salvador, fora desta Igreja, a Católica, não há salvação. Esta Igreja é plenamente santa, em sua doutrina, em seus sacramentos, em sua divina liturgia e em seus filhos que se santificaram seguindo seus ensinamentos. É católica, ou seja, universal, porque nela está presente Cristo: “Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica)” (Santo Inácio de Antioquia). A sua missão e pregar a Boa Nova a todos os povos, em qualquer tempo e a qualquer que seja a cultura a que pertençam. Obedecer o ide do seu Pastor para formar “um só rebanho” (Mt 28,19; Jo 10,16). É apostólica porque foi constituída sobre os fundamentos dos santos Apóstolos e seus sucessores (Ef 2,20;3,5). Esta Igreja é, sobretudo, una com a tríplice unidade de Fé, de culto e de governo. Esta tríplice unidade foi providenciada por Cristo, pela instituição do Primado de Pedro e de seu sucessor, o Santo Padre, o Papa, constituído por ele “princípio perpétuo e o fundamento visível desta unidade na Fé e na Caridade” (Pastor Aeternus” DS, 3051 e LG, 18). O ínclito ‘Doutor da Graça’ Santo Agostinho, bispo de Hipona, no Norte da África afirmou magistralmente: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristão, mas o próprio Cristo. Compreendeis irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a cabeça e os membros; que significa isto: a cabeça e os membros? Cristo e a Igreja” (CIC Nº 795). “Aquele que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um profano, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem não tiver a Igreja por Mãe” disse São Cipriano. “Quem não ama a Igreja não ama Jesus Cristo” disse o Papa Paulo VI. Numa expressão sublime de amor a Igreja de Cristo, o Cardeal Henri de Lubac afirmou: “A Igreja é a minha Mãe”. Nela eu nasci pelo Batismo, nela eu recebo o Corpo do Senhor, nela eu sou lavado no Sangue pela confissão, nela somos casados, nela recebemos todos as graças… nela viveremos a eternidade”.  Amamos sim, com amor abissal a Santa Igreja Católica e com ela caminhamos na estrada vida e da libertação para melhor conhecê–la, servi-la e honrá-la como obediente filho.

Pe. Inácio José do Vale
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Reflexão:


1) O que é ser católico para você?
2) O que quer dizer a expressão "FORA DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ SALVAÇÃO"?
3) De onde veio o termo CATÓLICO e o que segnifica?



sábado, 26 de março de 2011

FORMAÇÃO: O sacramento do Crisma


OS SACRAMENTOS DA IGREJA
Os TESOUROS fantásticos do céu

"Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina. Os ritos visíveis sob os quais os sacramentos são celebrados significam e realizam as graças próprias de cada sacramento. Produzem fruto naquele que os recebem com as disposições exigidas”.

Os sete sacramentos são:

1.      Batismo: nascemos para a fé. Iniciação Cristã: Começamos a fazer parte da grande família que é a Igreja;
2.      Confirmação: crescemos como Cristãos. Iniciação Cristã: assumimos com mais maturidade o compromisso na Igreja;
3.      Eucaristia: precisamos de alimentos para fé e a vida em comunidade. Iniciação Cristã: recebemos o corpo de Cristo, unidos a todos os irmãos;
4.      Penitência: erramos e nos arrependemos. Cura: Recebemos o perdão de Deus na comunidade;
5.      Unção dos Enfermos: somos atingidos pela doença. Cura: a graça de Deus e o caminho da Igreja ajudam o doente que sofre;
6.      Ordem: alguém sente a vocação de serviço total a Deus e ao irmão. Serviço: o Cristão se torna sacerdote a serviço da comunidade;
7.      Matrimônio: homem e mulher se amam e querem se casar. Serviço: os dois se comprometem a viver seu amor como cristãos de verdade.


OS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO CRISTÃ

Pelos sacramentos da iniciação cristã - Batismo, Confirmação e Eucaristia - são lançados os fundamentos de toda vida cristã. A participação na natureza divina, que os homens recebem como dom mediante a graça de Cristo, apresenta certa analogia com a origem, o desenvolvimento e a sustentação da vida natural. O fiéis, de fato, renascidos no Batismo, são fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e, depois, nutridos com o alimento da vida eterna na Eucaristia. Assim, por efeito destes sacramentos da iniciação cristã, estão em condições de saborear cada vez mais os tesouros da vida divina e de progredir até alcançar a perfeição da caridade.

OS SACRAMENTOS DA CURA

Pelos sacramentos da iniciação cristã, o homem recebe a vida nova de Cristo. Ora, esta vida nós a trazemos "em vasos de argila" (2Cor 4, 7). Agora, ela ainda se encontra "escondida com Cristo em Deus" (Cl 3, 3). Estamos ainda em "nossa morada terrestre" (cf. 2Cor 5, 1), sujeitos ao sofrimento, à doença e à morte. Esta nova vida de filhos de Deus pode se tornar debilitada e até perdida pelo pecado. O Senhor Jesus Cristo, médico de nossas almas e de nossos corpos, quis que sua Igreja continuasse, na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação, também junto de seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois sacramentos de cura: o Sacramento da Penitência e o Sacramento da Unção dos Enfermos.

OS SACRAMENTOS DO SERVIÇO DA COMUNHÃO

Os Sacramentos da Ordem e do Matrimônio estão ligados à salvação de outrem. Contribuem-se também para a salvação pessoal, isso acontece por meio do serviço aos outros. Conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do Povo de Deus.  Nesses sacramentos, os que já foram consagrados pelo Batismo e pala Confirmação para o sacerdócio comum de todos os fiéis, podem receber consagrações específicas. Os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para serem, em nome de Cristo, pela palavra e pela graça de Deus, os pastores da Igreja. Por sua vez, os esposos cristãos, para cumprir dignamente os deveres de seu estado, são fortalecidos e como que consagrados por um sacramento especial.

O SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO (Crisma)

A Crisma é a força de Deus. Nós só conseguimos viver porque Deus nos dá essa força. Essa força de Deus é o Espírito Santo agindo em nós. Na Igreja, a experiência de nossa vida é celebrada no sacramento da Crisma. A Crisma é o sacramento do cristão que está amadurecendo na fé. Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos "sacramentos da iniciação cristã" cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal. Com efeito, pelo sacramento da Confirmação "os fiéis" são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras.

Durante a primeira vinda de Cristo sobre a Terra, Ele prometeu aos seus apóstolos o Paráclito (advogado, defensor). Jesus também promete o Espírito Santo para nós, e nos é concedido através do Sacramento da Confirmação. A Crisma também é chamada Sacramento da Confirmação, pois através dele confirmamos o nosso Batismo que recebemos na maioria das vezes quando criança. Confirmar o Batismo é muito importante, pois, quando criança, não temos a consciência do Sacramento, mais sim os nossos parentes mais próximos que resolveram levá-lo até a pia batismal. Já na Crisma, não são os seus parentes que escolhem se queres ou não receber o sacramento da Crisma, mas sim você mesmo.

No sacramento da Crisma recebemos os dons do Espírito Santo: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade, Ciência e Temor de Deus. Eles são dons que nos aproximam de nossa vocação: a Santidade. Quando recebemos o Espírito Santo e nos abrimos inteiramente à graça sacramental não agimos em nós, mas sim o próprio Deus nos usa de instrumento e agi em nós. Por isso podemos considerar o crismando uma pessoa com grandes responsabilidades. Veja: No Batismo recebemos o Espírito Santo e nos transformamos de criaturas de Deus para Filhos de Deus. Já na Crisma dizemos com consciência: Quero ser Filho de Deus e assumir a minha missão de evangelizar. O mesmo Deus que os apóstolos receberam no dia de Pentecostes é o mesmo que recebemos no Sacramento da Crisma, por isso a mesma autoridade que eles tinham ao anunciar a Palavra de Deus é a mesma que possuímos. O dia em que nos crismamos é sem dúvida o dia de nosso Pentecostes. Onde o Espírito Santo nos é enviado para transformar e santificar.

Crisma é uma palavra grega que significa: óleo de ungir. A palavra Confirmação tem aqui o significado de fortalecimento, pois deve tornar o cristão “forte e robusto” no espírito. O Sacramento da Crisma deve provocar no crismando aquilo que o Espírito Santo provocou naqueles que estavam no cenáculo no dia de Pentecostes. Atos dos Apóstolos 2, 1-47.

Para que recebemos o Sacramento da Crisma? Comumente dizemos que a Crisma nos faz soldados de Cristo, que confirma o Batismo, Sacramento do adulto, da responsabilidade. Uma só coisa a Igreja nos garante sobre este sacramento: “Crisma nos concede o Espírito Santo”.

Olhando para a Bíblia, descobrimos que o Espírito Santo tem duas funções:
1º) o de dar a vida através do Batismo.
2º) e o de levar a vida até sua perfeição (santidade) = Crisma.

Talvez possamos dizer que o Batismo constitui mais o aspecto estático ao passo que a Crisma expressa mais o aspecto dinâmico, evolutivo da vida cristã. Uma coisa é ser cristão simplesmente, outra é chegar a plenitude de santidade. Evoluir, é tomar novo impulso, crescer constantemente na vida iniciada no Batismo. Não podemos permanecer semente; é preciso que a semente germine, cresça e dê frutos em abundância. (At 8, 14 - 19 – At 2, 1-47).

Missão do crismando
  • Ser bom fermento que leveda a massa.
  • Fomentar a caridade fraterna.
  • Comunicar aos outros o amor de Cristo que está nele.
  • Mostrar, com palavras e com atos, sua maturidade cristã e o desejo de sempre crescer até atingir a plenitude de Cristo.
Crisma não é um sacramento a mais, é o sacramento que faz o autêntico cristão. Ser cristão é comprometer-se com o Evangelho e ser coerente aos compromissos assumidos em relação a ele.

"Não sejamos mais crianças jogadas pelas ondas, e levadas para cá e para lá por qualquer vento de doutrina, à mercê da astúcia dos homens, e da sua insidiosa malícia a serviço do erro, mas pelo contrário, atendo-nos à verdade, cresçamos em todos os sentidos pela caridade, para sermos como aquele que é cabeça ,Cristo"(Ef 4,14 15).

Fonte: Recados do Aarão
          NPD Brasil